fevereiro 19, 2005 |
O Dia de Reflexão
Hoje é o dia mais estúpido do ano para os jornalistas. Num perfeito anacronismo, a lei continua a proibir que se fale de campanha, inclusive dos comícios de ontem à noite. Tudo isto é um perfeito absurdo.
Mas nós continuamos a cumprir. É o bom dia para se ver o que se passa no resto do mundo...
Ricardo Costa
Publicado por sic_online em 05:43 PM
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fevereiro 18, 2005 |
A maioria... silenciosa
Jerónimo de Sousa é a figura desta campanha eleitoral. A generalidade dos comentadores e analistas, da esquerda à direita, concordam que a surpresa é o secretário-geral do PCP.
Também estou de acordo. Jerónimo de Sousa é um autodidacta de trato fácil, afável, preparado e culto. Não é todos os dias que se encontra um comunista que lê Goethe e o cita nos seus discursos! Mas não só… Almeida Garrett, Sofia Andersen, Brecht e outros fazem parte dos livros de cabeceira do líder comunista.
Inteligente, percebeu que para fixar o eleitorado do PCP não podia abdicar dos princípios de comunista convicto, marxista-leninista. Daí que nunca se tenha desvinculado das suas atitudes enquanto membro do Comité Central do Partido. Estou a recordar o caso das expulsões dos críticos.
Mas da mesma forma percebeu que o mundo mudou e que o PCP também tem de mudar, sob pena de correr o risco de ser o partido da resistência… à mudança, sitiado numa fortaleza.
Até aqui nada de novo. Então onde está a diferença?
É que Jerónimo de Sousa é verdadeiro, é genuíno. Nas suas atitudes não existe maquilhagem. Não é mais um actor na cena política portuguesa.
Daí que o seu eleitorado se identifique com ele. Quando fala em desemprego eles sabem de que fala; quando fala de reformas eles sabem do que fala. O mesmo quanto ao combate à fuga aos impostos, salários, etc..
Há anos que sigo a vida política do Partido Comunista Português. De facto o PCP teve mais gente nas suas realizações que nas últimas eleições… mas estes já estão convencidos. Servirão quanto muito para manter a votação no mesmo patamar.
Quem vai decidir se o Partido Comunista vai crescer será o eleitor do País profundo.
Aquele que na tranquilidade do seu lar, de pantufas, vê e ouve os debates, lê os jornais e reflecte nas propostas que lhe são apresentadas.
No fundo, a "maioria silenciosa" vai decidir se o PCP sobe e se o PS tem maioria absoluta.
Ironia do destino… O PCP combateu a "maioria silenciosa" em 28 de Setembro de 1974. Na altura um movimento de direita.
Agora o PCP depende da "maioria silenciosa"… de esquerda… Dela depende a hipótese do Partido Comunista fazer ou não parte de um governo de esquerda.
José Carlos Costa
Publicado por sic_online em 04:11 PM
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O menino educado
Francisco Louçã foi durante toda a campanha um "menino educado", falando nas ruas com todas as pessoas, independentemente da cor política.
Nos comícios respeitou os seus adversários sem entrar na "onda" do insulto.
Mas eis senão quando, numa das últimas arruadas do partido, a caravana do Bloco cruza-se com um pequeno grupo da Nova Democracia.
O cenário foi a "baixa" de Santarém quase vazia, apesar da hora de almoço.
Francisco Louça distribuía sorrisos mas de repente ficou com um sorriso amarelo.
Ao fundo da rua, Manuel Monteiro dobrou a esquina. O encontro entre os dois era inevitável. Louçã aproveitou a passagem de uma ambulância para apressar o passo.
Entretanto, os gestos dos dois políticos eram filmados pelas televisões.
A Nova Democracia teve, aqui, a única oportunidade de passar em todos os canais em horário nobre.
Manuel Monteiro aproveitou para dizer "Dr. Louçã, boa tarde, eu não mordo…".
Francisco Louçã foi forçado a cumprimentar o adversário político do fundo da rua com um tímido "boa tarde".
Uma frase tímida que manchou a sua postura de "menino bem-educado".
Paula Castanho
Publicado por sic_online em 02:53 PM
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Breve ABC da campanha
BOATOS - Marcaram a pré-campanha, inaugurando a chamada campanha negativa.
Não correu bem, morreu no frente a frente na SIC.
CASTELO BRANCO - O PSD mobilizou a sério, o pavilhão parecia a abarrotar, Alberto João Jardim fez o Carnaval que faltava.
Festivo, o comício ganhou no confronto com o do PS.
Tudo parecia possível no arranque da campanha.
CANCELAMENTO - Dois, por decisão do pequeno grupo de estrategos que decidiu tudo.
No PSD comenta-se que o partido até reagiu bem nos oito dias de campanha que restaram... atendendo às circunstâncias.
CARNAVAL - Santana Lopes teve lata, fez de conta que só era primeiro-ministro e aterrou de Falcon em Monte Real.
No dia seguinte, quis beberricar "um chá ou cafezinho", em S. Bento, enquanto comentava a campanha. Teve má imprensa!
Na fuga para a frente, assinou um protocolo às escondidas para não ser acusado de usar os actos do Governo em campanha.
CAVACO - Há quem diga que foi tramado numa estratégia de facilitar o caminho de Santana para as presidenciais.
O líder falou nele, na última semana, para o comparar elogiosamente com António Guterres.
Ontem, agradeceu os apoios (poucos) dos ex-presidentes do partido, Cavaco ficou de fora.
Quem sabe o que Santana fará com esse trunfo?!
FÁTIMA - Dois, três dias de luto nacional, um velório e um funeral à espera, quem sabe que mais.
O primeiro-ministro candidato suspendeu tudo durante dois dias.
No primeiro, ouviu dois bispos a criticá-lo. Foi o suficiente para ficar em casa no segundo.
JANTARES E COMÍCIOS - Um ovo de Colombo.
Santana chegou quase sempre no fim, já os militantes tinham engolido os croquetes, a sopa, a carne assada.
Evitou uma úlcera e garantiu casas cheias.
Luís Delgado diz que se entrou na era da americanização das campanhas.
JORNALISTAS - Tendenciosos! Abaixo!
Os militantes gritaram-no à frente e nas costas dos ditos cujos, para além de outros mimos.
Santana Lopes fez ameaças em tom nunca visto e voltou a sair-se mal. No dia seguinte, foi ao Coliseu do Porto, humilde, falar em honra e pedir isenção.
GOVERNO - Paulo Portas entalou-o com o “seu governo”. Santana teve que arranjar um nome.
Semeou-se a dúvida nos jornais, Miguel Cadilhe fez um desmentido para provar a disponibilidade.
O resto dos nomes saltou de segunda para quarta, depois para quinta.
Os restantes quatro nomes souberam-se, finalmente, numa entrevista, sem honras de cerimónia pública.
PEDRO SANTANA LOPES - As suas mudanças de agenda fizeram a cabeça em água aos planeadores da campanha.
Os discursos foram longos, repetitivos, às vezes desorganizados.
Entrava sozinho, depois do "Menino Guerreiro" e de "Alexandre, o Grande", já os outros oradores tinham terminado.
A solidão foi encenada, profissionalmente, com iconografia própria.
De uma penada, reforçou-se o mito do lutador, só contra todos, à imagem de Sá Carneiro, e justificou-se a ausência dos chamados notáveis.
NORTE - Para o bem e para o mal, o povo militante que ama e odeia com a mesma intensidade.
Deu bons bonecos em Aveiro, Barcelos, Porto, Guimarães.
Se o líder do PSD tivesse continuado com as ameaças, sabe-se lá o que poderia acontecer.
RUA - Pouca. O chamado campeão da campanha na rua jogou pelo seguro.
Afoitou-se, antes, pelas salas de almoço e jantar, onde havia mais beijos e menos perigo.
SANTANETES - Já se sabia que existiam na Câmara de Lisboa, no Governo. Saltaram daí para fazer companhia ao líder.
Altas, magras, louras ou morenas, calça de ganga, casaco curto ou sobretudo meia perna, adereço laranja, ao pescoço de preferência, óculos de sol muito 'fashionable'.
Santana pode orgulhar-se de ter descoberto uma nova espécie!
SEGURANÇAS - Os do primeiro-ministro mais um superintendente da PSP.
Por junto, chegavam a ser seis em volta do candidato fosse ele onde fosse.
Fizeram parte do cenário de confusão que favorecia a ilusão dos chamados banhos de multidão.
Anabela Neves
Publicado por sic_online em 02:22 PM
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fevereiro 17, 2005 |
Todos os Nomes
Santana promete divulgar esta noite alguns nomes para o seu governo.
Penso que a ideia de apresentar nomes não faz qualquer sentido no nosso sistema eleitoral (em Inglaterra, para se ser ministro é preciso ser eleito deputado e é por isso que os nomes são conhecidos). Por cá, o PP fez uma boa aposta ao apresentar uma equipa mas penso que é um erro o PSD fazê-lo.
Ou Santana tem um nome fabuloso ou arrisca-se a fazer a figura do José Veiga a tentar reforçar o Benfica. Vamos ver... só faltam umas horas.
Ricardo Costa
Publicado por sic_online em 02:11 PM
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Quadratura do Círculo
Há alguns dias escrevi um post em que defendia a ideia de que é impossível o PS ter maioria absoluta numas eleições em que a CDU e o Bloco aumentem a votação. Parecia óbvio do ponto de visto político e aritmético. Mas com as últimas sondagens na mão começo a ter dúvidas.
Embora me pareça um absoluto contrasenso político, o PS está numa situação quase igual à de 1999: um pé dentro e outro fora da maioria. Se o PSD ficar abaixo (ou perto) dos 30 e o PP não chegar aos 10 pontos, a maioria absoluta é possível mesmo com o Bloco e o PC a crescer. É a chamada "quadratura do círculo".
Falta só uma pergunta: o PS merece ou fez alguma coisa para ter a maioria? Não. Mas, como dizia o Eng. Guterres, é a vida.
Ricardo Costa
Publicado por sic_online em 02:06 PM
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Casa cheia

Casa cheia de comunistas em comício no Barreiro

António Esteves
Publicado por sic_online em 01:31 PM
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D. Quixote de La Mancha
“Sempre consegui as minhas vitórias sozinho!”
É desta cepa que se faz um David em luta vencedora contra Golias, um D. Quixote louco mas sonhador e romântico.
As vitórias são apenas duas, Figueira da Foz e Lisboa, mas valem como moinhos derrubados pelo cavaleiro franzino que olha e vê “trinta ou mais desaforados gigantes” com quem pensa fazer batalha e tirar-lhes todas as vidas... que esta é a boa guerra”.
A iconografia da campanha Santana é toda ela memória das suas lutas pessoais. O Santana Secretário de Estado da Cultura, o Santana Presidente de Câmara, o Santana em Lisboa, na Figueira, o Pedro com o pai, com os filhos, o Pedro menino, o Pedro Santana Lopes cujo rosto se funde, no vídeo, com o de Sá Carneiro, homem sofrido mas duro, só também ele contra o próprio PSD.
Paulatinamente, o homem cresceu e derrubou os inimigos!
Já não é apenas Sancho Pança, Dulcineia, Rocinante.
Pedro tem casa em S. Bento, ministros e secretários de estado, assessoras, carro com vidros fumados se for preciso, amigos no aparelho de Estado.
E mesmo assim, o líder esteve só durante duas semanas fundamentais. Destino, inveja, ou marketing à boa maneira do continente americano?!
Nesta campanha, entrou sempre sozinho... os jotas a ladeá-lo, o speaker a anunciar um “homem com história”, as últimas palavras do Menino Guerreiro repetido em todos os comícios.
“Quis acabar com o vídeo mas quase que havia um motim por parte da produção”, confidenciou um destes dias.
O povo laranja riu, comovido com a partilha de alguém que andou, sempre, rodeado de seguranças.
A dois dias do fim, teve que partilhar algo mais.
De manhã, o espaço quando Pinto Balsemão, militante número um, lhe entrou, sala dentro, no Pavilhão de Portugal.
Pedro sorriu, agradecido!
À noite, as palmas no comício em Viseu, com José Luís Arnaut e Rosário Águas a seu lado.
Pela segunda vez num dia, o líder do PSD quis e aceitou companhia.
Anabela Neves
Publicado por sic_online em 10:56 AM
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fevereiro 16, 2005 |
''...à barca!''
Gil Vicente entrou na campanha do BE.
Durante a visita à Escola Profissional de Teatro, em Cascais, Louçã assistiu a um ensaio do ''Auto da Barca do Inferno'' no Auditório Zita Seabra.
O texto do mais importante dramaturgo português é propício a boas metáforas políticas. E o candidato não desperdiçou a oportunidade. ''Precisamos de novas figuras e figurantes para repor a verdade no país'', disse Louçã, lembrando o estilo de Gil Vicente.
Noutra sala, respondeu a perguntas dos alunos. Mas nem percebeu que a rapaziada teve uma aula de preparação. No quadro, a giz, mal apagadas, ainda podiam ler-se algumas palavras-chave para decifrar o passado de tão ilustre visita. 'Mao'', ''Marx'' e ''comunismo'' eram as mais visíveis.
Mas os alunos estavam pouco preocupados com ideologias ou filosofia política. ''Porque é que os políticos só aparecem quando há campanha?'', perguntou uma aluna. Louçã disse que é diferente dos outros, mas foi visível o embaraço. Era de facto a primeira vez que visitava esta escola. E porque anda em campanha...
Joaquim Franco
Publicado por sic_online em 10:47 PM
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Traído pelo Brandy Mel
"Perdi a voz mas não perdi a esperança". Foi uma das únicas frases que Jerónimo de Sousa conseguiu pronunciar com clareza no debate a cinco da RTP, que ficou reduzido a quatro.
Infeliz nas circunstâncias que o levaram ao silêncio, o líder do PCP acabou por ser feliz no "soundbite" solitário que fica para a história de um confronto que acabou cedo demais para ele.
Jerónimo não se atrapalhou, optou apenas por se desculpar de uma culpa que não teve. A simplicidade e a humildade dos gestos e das palavras cativaram a simpatia de muitos telespectadores.
No silêncio a que foi obrigado num dia decisivo, o líder dos comunistas deve ter destilado interiormente muita revolta e angústia. Deve ter amaldiçoado mil vezes o ar condicionado que lhe enrouqueceu a voz. Deve ter chegado também a uma conclusão óbvia: o remédio que usa para as emergências não dá para todas as circunstâncias. Com a voz a dar sinais de cansaço há vários dias - depois de resistir a uma gripe, vários golpes de frio e aos longos discursos um pouco por todo o país -, o Brandy Mel era uma grande ajuda em momentos de maior aflição. Aquecia a garganta e aclarava a voz. Foi precisamente no dia em que abençoou as virtudes terapêuticas do "chiripiti", a que não resiste, que foi traído.
Não consta que o Brandy Mel deixe de fazer parte dos preliminares das muitas discursatas que o esperam, mas talvez seja melhor não se fiar apenas nas mezinhas caseiras, que como se vê podem falhar nos piores momentos.
Um profissional da política precisa da ajuda de um profissional da medicina. Em permanência nos momentos especiais.
E um partido organizado como o PCP não pode descurar um aspecto tão fundamental.
António Esteves
Publicado por sic_online em 08:18 PM
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A espiral de silêncio
A partir de amanhã vamos ser bombardeados com as últimas sondagens. As mais importantes e credíveis serão feitas com a introdução de voto em urna e amostras bastante significativas. À partida, não acredito que mostrem grandes variações em relação às ultimas semanas, o que aumenta o "suspense" para Domingo.
Mas há um facto que pode baralhar os estudos eleitorais. Os discursos de Santana Lopes colocaram o seu eleitorado "natural" contra as sondagens. É natural que esse eleitorado, quando questionado pelas empresas de sondagens, não responda ou diga que se vai abster. A este fenómeno chama-se "espiral de silêncio" e, quando é significativo, pode afectar seriamente as sondagens.
Ricardo Costa
Publicado por sic_online em 11:58 AM
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Os debates e a abstenção
O debate de ontem, realizado na RTP, superou em muito as audiências habituais dos debates a 5. Já o frente-a-frente Santana-Sócrates, realizado na SIC e na 2, tinha batido recordes de audiência. Com estes dados, talvez venhamos a ter uma grande surpresa no índice de participação eleitoral no próximo Domingo.
Será que as pessoas perdem tempo a ver debates e nem sequer estão a pensar ir votar? Duvido muito.
Ricardo Costa
Publicado por sic_online em 11:33 AM
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fevereiro 15, 2005 |
As figuras de cartaz!
O PS tem dado, nesta campanha, uma imagem de unidade.
Almeida Santos, por exemplo, que deixou de figurar por opção própria nas listas, tem ombreado com Sócrates em territórios diversos. Também António Costa, deputado europeu, ou Jorge Coelho, o organizador da campanha, ou Manuel Alegre, que não esteve em Coimbra, distrito de que é natural, mas já esteve em Beja, e Jaime Gama, que foi orador em Aveiro sendo primeiro por Lisboa. Nos lugares onde os cabeças de lista são figuras de topo do PS, como em Setúbal (António Vitorino), ou em Braga (António José Seguro), Sócrates tem igualmente cedido o palco.
Sempre que uma destas figuras discursa, as palavras de José Sócrates passam para segundo plano ou, por vezes, para plano nenhum.
Ao mesmo tempo que dá uma imagem de unidade interna, com quase todas (quase todas - porque ainda falta João Soares discursar) as sensibilidades socialistas a apoiarem o líder, o PS mostra igualmente que no partido há vozes que diariamente lhe roubam o brilho.
Responderá o PS que Sócrates tem de discursar diariamente e que as outras figuras apenas o fazem uma vez em toda a campanha. É verdade. Mas o discurso de Sócrates, como o de todos os líderes políticos, repete necessariamente, ao longo destes 15 dias, a mesma estrutura e as mesmas ideias. E essa estrutura, mesmo tendo vindo a ganhar consistência, é sempre menos consistente do que a que une, em forma de discurso, as palavras dos outros.
Algumas dessas figuras de cartaz chegarão a ministros em caso de vitória, outras nem tanto. Ao PS convém que não se saiba antes de 20 de Fevereiro quais aceitarão o cargo. Porque uns poderão não aceitar e isso afasta eleitores, e porque outros poderão aceitar e isso também os afasta.
Pedro Coelho
Publicado por sic_online em 04:47 PM
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A caixa que mudou o mundo
Jerónimo de Sousa lançou hoje o charme discreto do proletariado sobre os jornalistas.
Ou seja, convidou todos os jornalistas que acompanham a CDU nesta corrida à volta do país para almoçar.
Contou muitas histórias sobre o partido, sobre renovação, o imperialismo norte-americano, a luta dos trabalhadores…
Como a refeição demorou quase três horas, houve tempo para tudo.
Participou num totoloto eleitoral com os jornalistas. Não posso divulgar a aposta de Jerónimo de Sousa porque pediu confidencialidade… Uma coisa é certa deve ter apostado num bom resultado da CDU…
Ainda houve tempo para falar do Benfica e da família. O secretário-geral do PCP tem um neto com três anos de idade.
O miúdo assistiu ao início de um dos debates em que Jerónimo de Sousa participou numa das televisões.
Vendo o avô na televisão, gritou à frente do ecrã: “Avô estou aqui! Não falas comigo porquê, pá?“
A caixa que mudou o mundo tem destas coisas…
Como gostaria Jerónimo de Sousa de mudar o país, de mudar o mundo.
Citando António Gedeão, “…sempre que um homem sonha o mundo pula e avança como bola colorida entre as mãos de uma criança“.
José Carlos Costa
(Foto de António Esteves)
Publicado por sic_online em 04:21 PM
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fevereiro 14, 2005 |
Palpites
Os jornalistas que acompanham a campanha do PS criaram uma espécie de bolsa de apostas sobre o resultado das eleições.
Cada um indicou uma percentagem de votos para os cinco principais partidos: PS, PSD, PP, CDU e BE. Obviamente, quem ficar mais próximo da votação real, ganha.
Notas a reter:
Previsivelmente, todos dão a vitória ao PS. Mas muitos duvidam da maioria absoluta.
Dos 39 "apostadores", 16 acham que os socialistas vão mesmo conseguir aquela que seria a primeira maioria absoluta da história do Partido Socialista.
14 acham que ainda não vai ser desta. Outros 9 jornalistas apostam que a votação do PS vai ficar na casa dos 44%, o que pode ou não ser suficiente para a maioria absoluta.
Não há nenhuma aposta relativa ao PS abaixo dos 40%, a mais alta é de 46,3.
Quanto ao PSD, 11 dos 39 jornalistas põem o partido de Santana Lopes abaixo da "barreira psicológica" dos 30%.
A aposta mais alta no PSD é de 36,9%, e a mais baixa de 27%.
Em relação aos partidos mais pequenos, é de reter que 24 em 39 apostadores "dão" ao PP uma votação inferior à que os populares alcançaram nas últimas legislativas.
As apostas mais baixas, no partido de Paulo Portas, são de 6%, a mais alta é exactamente o dobro.
Jerónimo de Sousa decerto gostaria que a CDU conseguisse nas urnas um resultado igual à aposta mais alta nos comunistas: 10,2%, contra 4,9 da aposta mais negativa.
Finalmente, o Bloco de Esquerda, com um dado curioso: nenhum dos 39 jornalistas lhe dá menos de 4%, ou seja, meio ponto acima do que o Bloco conseguiu nas últimas legislativas. Há mesmo quem chegue a apostar que o partido de Francisco Louçã vai chegar aos 8%.
Eu lá fiz a minha apostazinha, a pensar no "bolo" que vai já em 195 euros, com tendência a aumentar...
Chega e sobra para uma valente jantarada.
Pedro Avelar Dias
Publicado por sic_online em 09:32 PM
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Os "efes" das campanhas
Nas legislativas de 99, o Fado entrou na campanha. Amália Rodrigues faleceu e António Guterres não perdeu tempo, partiu para Lisboa.
Em 2002, o segundo dos 3 "efes" do Estado Novo chegou à campanha de Durão Barroso. O candidato recebeu Manuel Vilarinho num jantar, em Rio Maior. O então presidente do Benfica levou com ele o Futebol bem no início do percurso que levou o líder do PSD à vitória.
Duas campanhas legislativas depois de Guterres, a "morte impressionante" de uma nonagenária favoreceu o uso do "efe" que faltava à democracia portuguesa.
Aliás, Fátima "casou" bem com o Fado quando o homem, que gosta de sublinhar que tem memória, comparou (sem "querer fazer comparações" claro) a sua decisão com a do seu antecessor socialista. Serviu de caução porque, afinal, Guterres é católico praticante e talvez fizesse o mesmo se a Irmã Lúcia falecesse em 99.
Santana Lopes até foi gentil! Numa voz e tom adequados ao último dos "efes", subiu ao palanque partidário de Cabeceiras de Basto e pediu o respeito do povo português pelos adversários do momento. É lá com eles, se quiserem cancelar a campanha, respeitamos, se não quiserem também respeitamos.
Na altura era mesmo o primeiro-ministro que falava, tal como quando manifestou surpresa quando os jornalistas lhe perguntaram, directamente, se estava a falar de José Sócrates, um ateu conhecido. Ah é, olhe que eu não tinha a certeza?! Neste momento, Santana ainda não sabia que o PS ia agir de acordo com o peso que Fátima pode ter se for mal usado ou se não for usado de todo. Manteve-se a campanha mas sem festa para não afrontar os eleitores católicos que votam ao centro.
Às 9 e pouco da noite, Santana também não sabia como é que ia reagir o Presidente da República. Aceitava os dois dias de luto nacional, o número que andava a circular em Cabeceiras de Basto e que o próprio líder do PSD referiu? A dúvida era legítima num Estado que, como o próprio Santana sublinhou ao longo da noite, é laico. Jorge Sampaio concedeu apenas um dia!
Restava outra dúvida. O primeiro-ministro ia ao funeral, claro, mas será que ia, também, ao velório de uma mulher que, segundo D. Januário Torgal Ferreira, não representa a alma pátria? A resposta ficou a saber-se hoje. Santana Lopes só vai ao funeral! Quem sabe se a decisão surgiu depois das críticas que surgiram dentro da própria Igreja aos partidos que estão a fazer aproveitamento político com a morte da Irmã Lúcia?! Tal como em 99, parece que nem o Fado, nem Fátima tem qualquer utilidade eleitoral na sociedade portuguesa.
Anabela Neves
Publicado por sic_online em 08:58 PM
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Nervoso miudinho
O lábio inferior tremeu-lhe pela primeira vez nesta campanha, no frente a frente com os jornalistas, e denunciou o nervoso miudinho.
Jerónimo foi convidado a falar dos críticos que defendem a renovação e que acabaram expulsos do PCP.
Aceitou o desafio, mas nunca escondeu o incómodo. Mediu as palavras com um rigor extremo, e nunca deixou escapar uma frase menos feliz.
O lábio tremia a Jerónimo, não por medo das perguntas, mas por receio das respostas.
Jerónimo é veterano nestas andanças e sabe que nestas coisas às vezes uma simples palavra vale mais que mil frases.
Quando uma palavra escorrega não há quem a segure e, qual bola de neve que cresce à medida que se afasta, pode transformar-se numa avalancha de consequências imprevisíveis.
Mas Jerónimo não se descaiu.
Lá foi dizendo que o Bloco é o Depósito Geral de Adidos, que recebe de braços abertos alguns que andam de mal com a vida.
Que todos podem ser críticos desde que o façam no sítio certo e no órgão próprio.
Que algumas movimentações e deslocações de alguns só vieram confirmar a justeza da decisão de expulsão decretada pela direcção comunista, numa referência ao facto de oito elementos do Movimento da Renovação Comunista, ex-militantes do PCP, terem decidido integrar as listas do Bloco de Esquerda.
Lembra Jerónimo que o PCP é um partido e não uma tertúlia, que tem regras e formas de estar definidas, e que só adere quem quer, de forma voluntária.
Jerónimo nunca escorregou, mas o lábio tremeu-lhe.
O líder do PCP pode controlar as palavras, mas é quase impossível controlar as emoções… os estados de alma.
Jerónimo tremeu, mas não se abespinhou, nem viu nas perguntas uma tentativa de desestabilizar o partido. Não se irritou. Não tentou fugir. Enfrentou as perguntas, mesmo as mais incómodas, com coragem e frontalidade. Com fair-play.
É um líder. Não há dúvida. Para durar?...
António Esteves
Publicado por sic_online em 08:44 PM
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A agorafobia laranja
Por definição médica a agorafobia é um estado de ansiedade sentido em locais ou situações de onde possa ser difícil ou embaraçoso escapar; ou onde o auxílio pode não estar disponível na eventualidade de se ter um ataque de pânico inesperado.
De forma simplificada é o medo de lugares abertos.
Pedro Santana Lopes, político que apregoa ser mais humano que os seus adversários, o “guerreiro menino” que se humilha se “lhe castram os sonhos”, sempre foi conhecido por ser emocional e muito dado a beijinhos e abraços ao povo.
Até agora! A agorafobia ganhou cor política: o laranja.
O líder fecha-se em salas onde o número de cabeças é o objectivo fundamental. Chega em festa, ocupa o lugar da “competência”, fala e desaparece rapidamente.
“No dia em que o rei fez anos, o povo saiu à rua com alegria, houve arraial e foguetes no ar”.
Tal como na famosa música de José Cid, os portugueses aproveitavam as visitas das ilustres figuras políticas que “desciam” ao Portugal profundo na caça ao voto pré-eleitoral para os aplaudir ou apupar “in loco”.
Tempos que já lá vão.
Santana Lopes não dá esse prazer ao povo que quer que o eleja a 20 de Fevereiro.
Está lá, mas está no púlpito. Está lá mas não ouve o problema da senhora que recebe uma pensão de miséria. Está lá, mas não deixa que o abracem. Está lá, mas não está.
A estratégia é compreensível. O país não anda bem e as ruas de Portugal são terreno inseguro para quem corre o sério risco de ser mais vaiado do que incentivado.
Por isso o PSD foge dos espaços abertos; por isso os repórteres que cobrem a campanha laranja não contam histórias do país real; por isso todos perdem.
Mas temos que compreender.
A agorafobia pode desencadear reacções como tremores, taquicardia, falta de ar, tonturas, sensação de desmaio ou descontrolo, por exemplo, quando se está entre uma multidão.
E se já falta a voz ao candidato engripado, a cinco dias do fim da campanha, fica o “voto” tão popular: “haja saúde que é o que é preciso”!
Miguel Caldeira
Publicado por sic_online em 10:23 AM
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fevereiro 13, 2005 |
O Café Dilema
Depois da estrada corrida a grande velocidade, depois de termos o trabalho numa cassete, começa o formigueiro de um nervoso miudinho.
Falta chegar ao sítio onde nos espera o camarada da edição de imagem.
A etapa final de uma reportagem, para quem não sabe.
Desta vez tínhamos saído do Queimódromo, margem do Mondego, onde o PP tinha feito uma acção de campanha.
Íamos ter o com Tó que estava na outra margem, bem perto do local onde o PS ia fazer o comício.
Era a grande confusão.
Os autocarros dos militantes entupiam as ruas, não víamos sítio onde ligar o material para editarmos a peça.
O Manuel Dias da Silva foi rua abaixo e deu de caras com o café Dilema.
Delicado como é, teve logo um sim quando pediu ao senhor Teixeira, que o deixasse montar ali o material de montagem.
E depois dele, chegou o António Soares, o Pedro Coelho, o Luís Pinto, o José Caldelas e eu.
Ocupamos mesas, quase enchemos o pequeno estabelecimento.
As duas equipas de reportagem da SIC que acompanhavam duas comitivas diferentes, a do CDS PP e do PS, juntavam-se no Café Dilema para enviar em conjunto, o trabalho do dia.
Nesse dia o dilema das duas caravanas foi não se encontrarem olhos nos olhos, pelas ruas de Coimbra.
Até combinaram, previamente, por onde andariam e a que horas.
Por coincidência, fomos nós parar ao Café Dilema.
A vida dá cada volta.
As peças entraram a tempo e horas, sem stress, com direito a cafezinho e à simpatia do senhor Teixeira, o dono do Café Dilema. Ficamos felizes nesse dia.
Obrigada senhor Teixeira.
Graças à generosidade deste coimbrão, o dia acabou bem para nós.
Sem dilemas… Saímos em direcção a Lisboa.
O nosso carro de reportagem marca 3500 quilómetros, em pouco mais de uma semana de campanha eleitoral.
Pelo caminho, perguntei-me que dilemas teria tido o senhor Teixeira, que o levaram a colocar um nome assim num café. Espero que tenha sempre encontrado a melhor solução para todos os dilemas da vida.
Ana Margarida Póvoa
Publicado por sic_online em 08:29 PM
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"Pequena Grande'' candidata
Em Faro, Francisco Louçã ''atacou'' o apelo socialista a uma maioria absoluta, acentuando as diferenças, ''pela positiva'', de um governo PS com maioria relativa. Falou de uma ''maioria social'' no Parlamento, com a participação do BE, em vez do ''absolutismo'' político do PS. Louçã deixou a mensagem, mas quem marcou a noite foi Ana Drago. A mais ''pequena'' candidata do BE teve de subir para cima de uma caixa de fruta, porque não chegava aos microfones. E não se embaraçou. ''Os candidatos do Bloco não se medem aos palmos'', disse Ana Drago, conquistando a sala. Havia na caravana quem tivesse receio de que a ''imagem'' ficasse ''ridícula'' na TV. A candidata mostrou que, às vezes, os cuidados com a ''imagem'' são bem mais ridículos do que os inesperados ''embaraços'' de uma campanha. Mas a ''pequena'' candidata também foi ''grande'' no fim. Era vê-la a ajudar na desmontagem do palco, enquanto os outros candidatos e simpatizantes conversavam...
Joaquim Franco
Publicado por sic_online em 04:29 PM
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Bloqueio
"Eu costumo dizer que as pessoas do Bloco de Esquerda são os filhos perdidos do PS".
A frase foi proferida por José Sócrates, numa visita à Universidade do Minho, ao ver um estudante cuja t-shirt tinha uma estrela que fazia lembrar o logótipo do Bloco.
Sócrates explicou depois ao mais ou menos atónito estudante que a tirada era uma adaptação da frase de Willy Brandt sobre os militantes mais esquerdistas do SPD.
No dia seguinte, num comício em Coimbra, António Costa declarou que o Bloco é "um partido simpático, mas que não quer governar, prefere ficar comodamente no papel de esquerda da consciência".
É verdade que não queimou as pontes, mas no mínimo impôs as distâncias entre os dois partidos.
Entre um facto e outro, uma coisa é certa: se as contas saírem furadas ao PS, a versão de Sócrates será mais útil. O PS terá de abrir os braços aos "filhos perdidos". Assim se explica que não tenha sido ele a proferir as palavras ditas por António Costa.
Pedro Avelar Dias
Publicado por sic_online em 03:22 PM
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A Rua
Chamemos-lhe Dona Maria. Não lhe fixei o nome, nem é determinante para a história.
Em Barcelos, foi ela a protagonista de um daqueles impagáveis momentos que as campanhas por vezes produzem.
A nossa Dona Maria é apoiante socialista, mas poderia porventura ser de outro partido qualquer.
Esperava ela a chegada do líder. É certo que nem sabia muito bem o nome do candidato: olhava para o panfleto do PS e dizia "José Sórc... Sótraces...ai...". Mas sabia que era "aquele que é muito bonito". Chegou a pôr a mão em concha - como se fosse possível dizer um segredo a uma câmara de tv - e sussurrar "comia-o todo". Adiante. A simpática militante esperou pacientemente e, chegado o momento, foi à luta. Com determinação férrea, e assinalável coragem física, enfrentou a "molhada", o exército incontrolável de militantes, jornalistas e povo que gravita em torno do candidato, sempre que o dito cujo "faz rua", como se diz na gíria jornalística. Mas foi em vão. Dona Maria não só nem chegou perto de Sócrates, como foi engolida por aquele rolo compressor. Ao ver as imagens, captadas pelo meu colega Luís Pinto, dei comigo às voltas com uma ideia: mais do que qualquer político possa dizer numa bonita declaração; mais até do que ela própria possa pensar, Dona Maria é 100% povo: às vezes, até tem vontade de se aproximar dos políticos, mas ou eles estão distraídos, ou há demasiados obstáculos.....
Pedro Avelar Dias
Publicado por sic_online em 03:04 PM
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Misturas
A campanha tem destas coisas. Em Braga, pouco antes de mais um comício do PS, dei de caras com uma caravana do CDS-PP, parada a poucos metros da tenda gigante que haveria de receber os socialistas. De um megafone, saíam as palavras de Paulo Portas, apelando ao voto nos populares. Até aqui, nada de extraordinário. Aliás, uns minutos antes, o cidadão bracarense a quem perguntei onde ficava a Avenida Central respondeu "Ah...o comício. Hoje quem é?", indicando como muitas vezes se cruzam os caminhos partidários. Voltando à história: o que já não será tão normal é ver um elemento das listas do PP em Braga, a vinte metros de um comício do PS, a dar um pezinho de dança com uma apoiante, ao som da música do... PSD, o célebre "Guerreiro Menino", debitado estridentemente pelo auto-rádio de um Smart coberto de autocolantes do PP.
Seriam os populares a dançar conforme a música laranja? Dificilmente, porque o parzinho pouco dançava, de tal forma estava distraído a gozar com a inenarrável canção. O que, aliás, é compreensível.
Enfim...haja algo para animar a caça ao voto...
Pedro Avelar Dias
Publicado por sic_online em 02:59 PM
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Marcha atrás!
O vídeo está à disposição no hotel Sheraton para visionamento dos jornalistas!
Foi assim que acabou uma das noites mais agressivas que há memória... no que toca à relação entre políticos e jornalistas no difícil tempo de convivência das campanhas.
Só que a disponibilidade soou incompreensível. Como é que um vídeo comparativo da cobertura dos dois maiores partidos, montado pelo PSD como arma de campanha, se podia transformar num motivo de interesse jornalístico para os alvos dessa campanha?
Nem mesmo a estratégia de fuga para a frente, perante a dimensão do erro, justifica a decisão de usar, recatadamente, aquilo que foi a grande ameaça gritada pelo líder no comício de Aveiro.
O PSD ainda explicou que o vídeo não foi usado no Coliseu do Porto a bem do partido e dos jornalistas...!?
O que é que sobrou então? Alguns insultos (poucos) e um Santana Lopes, cada vez mais rouco, sem sombra de agressividade, quase humilde, a justificar-se com a necessidade de defender a honra do partido.
Tudo isto... em menos de 24h. Deve ter sido umas das reviravoltas mais rápidas que o "menino guerreiro" teve que fazer na sua "história de vida".
Anabela Neves
Publicado por sic_online em 12:19 PM
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Cadilhe New-Age
Miguel Cadilhe voltou ontem a campanha: de manhã era manchete da "Economia" do Expresso a desmentir Santana, à tarde fez um comunicado à Lusa a desmentir o Expresso e o PS, à noite deu um excelente pretexto para Santana Lopes atacar os media.
Não vou comentar as notícias, fico-me pelos "factos políticos":
1. Santana anda a falar em Cadilhe há duas semanas.
2. Todos sabemos que Cadilhe odeia Portas, que Arnaut não pode com Cadilhe e que Bagão nem o quer ouvir (é recíproco).
3. Santana pediu autorização a Cadilhe para utilizar o seu nome como "perfil" para um próximo vice-primeiro-ministro.
4. Cadilhe aceitou apesar de dizer que se recusa a ir para um governo com Portas.
Ninguém percebe bem isto. Cadilhe não quer integrar o governo mas autoriza que se fale no seu perfil? Nasceu uma nova moda na política: já havia os apoiantes, agora há o "perfil de apoiante". Uma espécie de holograma que paira na campanha.
É uma coisa muito new-age.
Ricardo Costa
Publicado por sic_online em 09:13 AM
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O mistério Vitorino
António Vitorino atrapalha-se com poucas coisas. É muito seguro, culto, experiente e tem um enorme sentido de humor, qualidades que lhe permitem sair airosamente de qualquer pequeno embaraço.
Mas há uma pessoa que é capaz de o colocar em risco e que ontem o pôs entre a espada e a parede: Mário Soares. O ex-Presidente da República, de quem Vitorino foi porta-voz na primeira campanha eleitoral, perguntou-lhe se ele ia para o governo, acrescentando que este "não é o momento para alguém ficar de fora".
Esta pergunta só tem interesse porque ninguém consegue perceber qual é o verdadeiro interesse de António Vitorino nestas eleições. Está pronto para avançar ou limitou-se a escrever um programa eleitoral que todos vão esquecer em menos de um mês? Aceitou ser candidato por Setúbal para servir de flor de lapela ou para voltar a mostrar o que vale num governo?
Vitorino é um mistério.
Ricardo Costa
Publicado por sic_online em 09:04 AM
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fevereiro 12, 2005 |
Assim se vê...
A aposta era arriscada. Falar de imigração no centro de Almada. O CDS/PP tem no curriculum uma política de quotas, que restringiu a entrada de muitos imigrantes em Portugal, e Almada é, como agora se diz, um bastião comunista.
Motivos de preocupação na caravana centrista que depressa deram lugar a um certo nervosismo. Sobretudo quando um apoiante de Portas o interrompeu, com vigor, para afinal apoiar o seu discurso. Foram momentos de suspense "hitchcockiano", em que os assessores do CDS/PP se entreolhavam com ansiedade. O episódio terminou com Portas a advertir que a sessão era serena. Mas o que se seguiu foi autenticamente o que os americanos chamam "damage control" - trocas de bilhetes entre Portas e os assessores, repovoamento do exterior em redor da tenda móvel, maior controlo das entradas. O esmero securitário não evitou que um adolescente, adepto de Che Guevara, lançasse a uma distância de 100 metros um saco plástico cheio de água, que por milímetros não encharcava um punhado de repórteres. O jovem contestatário pôs-se em fuga mas, nunca fiando, Paulo Portas preferiu prestar declarações dentro de tenda. De resto, Portas até saiu de Almada com o incentivo de uma mulher que, nem de propósito, trajava um grande casaco vermelho. Refeitos do pequeno susto, os homens de Portas respiraram de alívio. Assim se vê...
Daniel Cruzeiro
Publicado por sic_online em 03:48 PM
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The beer test
No mundo das sondagens políticas há o célebre "beer test" em que se pergunta com que candidato é que gostaria de ir beber uma cerveja. Esta pergunta serve para testar a "simpatia" dos candidatos e, como se costuma dizer, vale o que vale. É curioso lembrar que nos EUA, Bush ganhou sempre o "beer test" a Kerry (mas a quem é que apeteceria beber uma Budweiser com um milionário da Costa Leste?). Por cá, tivemos hoje o primeiro "beer test", adaptado para um "cafézinho", na sondagem SIC/Expresso/RR. É claro que Santana ganhou. Sócrates é muito maçador, até para um café, e Santana é muito mais divertido. Mas será que isso chega? Ricardo Costa
Publicado por sic_online em 02:29 PM
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O poder e os Media
Porque será que os ataques aos media, partem sempre de quem durante anos viveu de e para os media? Não será porque esses políticos tentaram em fases mais ou menos longas das suas vidas criar jornais, rádios, comprar televisões e formar grupos de comunicação social? Talvez percebam agora porque falharam. Porque continuam sem saber o que é a comunicação social. Ricardo Costa
Publicado por sic_online em 02:14 PM
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Major Alvega, o Aviador
Paulo Portas tardou em despir a pose de Estado. Mesmo nos contactos de rua e mercados, Paulo Portas não conseguia tirar esta pele. Durante a primeira semana de campanha, nunca dispensou o fato completo e gravata, regra geral coloridas.
Mas, ontem quando entrou no pavilhão do Centro Nacional de Exposições, em Santarém, o líder dos populares decidiu que era altura de surpreender... mais que não fosse pela nova farda de campanha. Todos notaram e comentaram o blusão castanho de cabedal, que lhe dava um ar de Major Alvega.
O povo gostou e qual aviador, voou entre bandeiras, balões e muitos jovens que ainda não votam este ano.
Portas sabia que não era só o casaco de cabedal mas também a pose que nunca o via adoptar. Descontraído, encostava-se de lado, braços pousados no púlpito, perna cruzada... tudo foi diferente.
Eu sei que nada está ao acaso, numa campanha eleitoral. Seja por vontade própria, seja pelas leis do marketing politico, seja pelo que for... Paulo Portas vai despindo a pele de ministro e veste a roupa a condizer com as acções de campanha.
Fica então registado o efeito do casaco de cabedal semelhante ao do herói da banda desenhada e também com ares de Howard Huge, o aviador.
Resta saber a que altitude consegue chegar no dia 20 de Fevereiro... Acima dos 10 mil pés, perdão, acima dos 10 por cento?
Ana Margarida Póvoa
Publicado por sic_online em 01:37 PM
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A democracia segundo Santana Lopes
Quando todos os jornalistas pensavam que o pontual ''casamento'' de 24 horas entre Lopes e Mendes ia dominar as reportagens do comício de Aveiro, o líder do PSD surpreende.
O ataque à comunicação social esta noite é o culpabilizar desesperado de um homem que sozinho no partido tenta fazer pela vida.
Santana Lopes é emocional, mas esquece-se por vezes que um bom político tem que ser frio e não pode desabafar quase enraivecido perante militantes e não só.
O ataque a quem o deu a conhecer não fica bem.
A democracia que Santana Lopes põe em causa é a mesma que o próprio, todos os dias ao longo da campanha, recorda que tentou construir.
A atacar quem trabalha com ''coragem e competência'' [chavões de Lopes na campanha] não se ganham votos e não se convence ninguém que os ''episódios'' são passado e as boas propostas são o futuro.
E desta vez o jantar comício estava cheio de militantes que ''democraticamente'' aguardavam há mais de uma hora pela febra com arroz para explodirem de fúria quando Lopes atacou a comunicação social.
A campanha chegou a meio com a democracia a ser posta em causa.
E ainda falta outro tanto...
Miguel Caldeira
Publicado por sic_online em 11:35 AM
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Seremos os terceiros?!...
Estrategicamente cauteloso, Louçã tem evitado as ''fasquias''. O BE sabe, como lembra Ricardo Costa mais abaixo, que uma ''fasquia alta'' nas eleições impõe outras responsabilidades. Quando há dias se abordou o assunto, Louçã pôs ''água na fervura''. Despachou o assunto dizendo o óbvio, mas que soa sempre bem: ''teremos a força que o povo entender, os votos que merecermos''. Está certo. Mas o dilema vem depois de o povo decidir. E agora, que as sondagens apontam para a possibilidade de o BE ser a 4ª, ou a 3ª, força política, os dirigentes bloquistas até elogiam as políticas sociais dos governos de Guterres. ''São um bom ponto de partida para negociar", disse Luís Fazenda. Para quem dizia que não quer ser governo... O poder é um deslumbramento, mas implica uma definição sem ''meias tintas'' e a ''falar claro''.
Joaquim Franco
Publicado por sic_online em 11:33 AM
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fevereiro 11, 2005 |
A receita do sucesso
Francisco Louçã jamais imaginaria que umas colheres de azeite misturadas com um dente de alho mudassem a dinâmica dos comícios do Bloco. Um homem seguro dos resultados desta receita culinária cruzou-se com a caravana do Bloco, no centro de Coimbra, e afirmou olhos nos olhos: "O Sr. precisa de força, porque não tem apoio...".
Louçã sorriu, indiferente, mas o que é certo é que a passagem por Coimbra deu vitalidade ao Bloco.
À noite, o cinema Avenida encheu...Louçã deixou-se levar ao ritmo do grupo "Mercado Negro", aplaudiu e ficou com vontade de dançar...
Quando foi a sua vez de falar aos simpatizantes, estava literalmente inspirado. Uma brochura do PSD foi a receita para o sucesso: "O manual do administrador competente" contava a vida e obra de Santana Lopes...
Francisco Louçã, lendo a brochura, mostrou o outro lado do administrador competente...e confessou: "Hoje estou feliz"...
Paula Castanho
Publicado por sic_online em 11:54 PM
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O Bloco e a crise de crescimento
No dia 21 toda a gente está à espera de uma crise no PSD. Essa é fácil de antecipar, só não é fácil saber como acaba.
Mais curiosa vai ser a crise no Bloco de Esquerda. Por mais paradoxal que pareça, quanto melhor for o resultado mais complexa será a crise. O Bloco vive hoje na pele o dilema que atravessou os Verdes alemães: em que momento deve um partido de protesto saltar para o "arco de governabilidade"? É muito difícil responder a esta questão. Os dirigentes do Bloco sabem que esse salto vai fazê-los crescer em responsabilidade mas perder imenso em popularidade.
Se o Bloco só subir 2 deputados a crise será ligeira mas se o crescimento for maior, o Bloco não vai poder dizer eternamente que não quer entrar para o governo.
Ricardo Costa
Publicado por sic_online em 01:45 PM
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A soneca comunista
Quando acabar a campanha eleitoral Jerónimo de Sousa terá dado quase duas voltas completas ao país, incluindo uma passagem pela Madeira e Açores. Numa das viagens o líder comunista fez a ligação Vila Real-Setúbal depois de um desgastante périplo pelo pouco produtivo - para os comunistas - norte do país. Regra geral apresenta-se fresco e lúcido, mas há momentos, sentado à mesa, contemplativo e pensativo, em que as pestanas começam a pesar demasiado. Quando parece que vai haver "boneco" para a história, Jerónimo respira fundo e avança para o púlpito desperto e acordado. O discurso e a defesa do ideário comunista parecem revigorá-lo, mas o segredo é mais prosaico: umas sonecas, curtas, no banco traseiro do carro onde vive há várias semanas. É que os motoristas vão-se revezando para não acumularem cansaço, mas o líder tem de ser sempre o mesmo. Jerónimo descobriu uma solução à Soares, para evitar fazer má figura. E apesar de algumas piscadelas a mais, em momentos de maior monotonia, o líder do PCP lá vai mantendo os olhos abertos e o sorriso bem disposto. Mesmo que entre discursos inflamados sonhe com a cama que mal tem visto nestes dias.
António Esteves
Publicado por sic_online em 11:15 AM
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Já vimos este filme?!
Ora agora fecha, ora agora abre. Ai, tanto convidado por causa de um protocolo. Jornalista hoje é que não! Santo portão que permite a selecção natural que os políticos encomendariam em épocas difíceis.
Aí vem ele! Mas onde é que ele está?
Ah, dentro do segundo carro que passa aquele portão de ferro cinzento, meio cinéfilo, que protege a simples cerimónia de assinatura de um protocolo. Vem sentado, confortavelmente escondido, atrás de uns vidros negros, quase tão cinéfilos como o portão.
Podia ser filme mas é apenas Santana Lopes e a sua saga contra os que lhe querem mal e o obrigam a esconder este simpático acto governamental... porque senão lá vem a estória de que o candidato anda a fazer campanha a partir de S. Bento.
A saga teve episódio no comício, em Bragança, com Santana Lopes a acusar certa comunicação social de fazer campanha de outros partidos... contra o PSD, claro.
Em 1995, foi assim que tudo começou até que Fernando Nogueira percebeu que eram mais as perdas que os ganhos com esta estratégia. Acabou por ser o próprio líder do PSD a arrepiar caminho... antes que fosse tarde.
Anabela Neves
Publicado por sic_online em 08:15 AM
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fevereiro 10, 2005 |
O copianço
O comício de abertura da campanha eleitoral do CDS/PP foi no Porto no Palácio de Cristal.
A casa estava cheia e , talvez por o PP não estar à espera que tal acontecesse, gritou-se “ASSIM SE VÊ A FORÇA DO PP!“ .
Ora tal é uma adaptação de um conhecido slogan do Partido Comunista, com um desvio de direita… É o mínimo que se pode dizer…
Confrontado com este revisionismo, Jerónimo de Sousa deu uma gargalhada e disse:
“É um péssimo copianço… quem diz que o PCP não é nada original … Afinal nós somos tão criativos que leva o CDS a fazer um copianço em relação a uma nossa palavra de ordem“.
Entre a cópia e o original… se vê a força do PC.
José Carlos Costa
Publicado por sic_online em 08:55 PM
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Dois momentos de campanha
No mercado da Póvoa de Varzim, António Pires de Lima dava beijos e calendários e desejava a todos um bom ano. As vendedeiras regateavam beijos ao candidato Paulo Portas... e isso fazia-o feliz. Foi com alguma algazarra, abraços e votos eleitorais que se fez uma acção de campanha dos populares entre o peixe e hortaliça.
É sempre assim.
Mas na carpintaria industrial JTT, no Olival tudo foi diferente. Paulo Portas cumprimentou os trabalhadores, mas o barulho que se ouvia era o das máquinas. Os operários paravam apenas o breve instante de um cumprimento. Aqui, a intenção do voto de cada um ficou preservada.
As mulheres e os homens, que trabalhavam a madeira de um empresário militante CDS-PP ficaram serenos ao ver Paulo Portas. Não gritaram palavras de ordem, nem desejos de votos… nada.
É certo que devolviam sempre o sorriso ao candidato.
E quando ele seguia caminho, as operárias e operários agarravam-se de novo às máquinas e olhavam concentrados para a madeira que tinham de cortar.
Eu sei, porque disseram que alguns dos trabalhadores ganham uns 600 euros por mês. Mas, muitos disseram também que não levam mais que o salário mínimo para casa.
Também ouvimos que mesmo pouco, é sempre bom ter trabalho. Trabalha-se muito neste país, por pouco, todos o sabemos. Na região do Porto há 120 mil pessoas desempregadas.
Quando saí da fábrica JTT ampla, arejada e modernizada tinha uma ideia teimosa na cabeça. Algum dia, este país além das empresas modelo, de trabalhadores modelo, de empresários modelo virá a ter em breve, muito breve... salários modelo?
Para trás ficaram os trabalhadores e o seu ganha-pão.
E a caravana eleitoral seguiu caminho...
Ana Margarida Póvoa
Publicado por sic_online em 08:31 PM
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Estrela gigante com... cabeça
 O Bloco estreou em Aveiro um “gigantone” do símbolo do partido.
“O povo chama-lhe a estrela com cabeça”, disse o candidato.
Vai ser usado apenas na campanha local. Deu nas vistas.
Nos contactos de rua alguém disse a Louçã: “Vais fazer o que prometes? Senão, desligo a TV quando lá estiveres!...” Joaquim Franco
Publicado por sic_online em 05:37 PM
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Aquele abraço
Como se sentirá o ex-comissário europeu sabendo-se tão desejado?
Esta quinta-feira, no Barreiro, quando António Vitorino assumiu junto do líder a sua condição de cabeça de lista por Setúbal, Sócrates esboçou, e concretizou, várias demonstrações públicas de apreço pelo seu camarada. O abraço no momento do encontro enquadra-se na normal cumplicidade que envolve companheiros de estrada, mas no Barreiro Sócrates não resistiu a repetir esse abraço uma e outra vez.
Sócrates tem andado tenso nesta campanha, encarando as câmaras como espingardas apontadas a possíveis gaffes ou deslizes. Por causa das câmaras coloca a razão antes do coração e as suas surtidas junto do povo resultam em demonstrações pífias de calor humano.
O abraço a Vitorino, tantas vezes concretizado, teve o calor que nunca Sócrates mostrara.
Será que no Barreiro Vitorino lhe disse que aceita ser ministro? Se assim for, quem sabe Socrates distende!
Pedro Coelho
Publicado por sic_online em 05:17 PM
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Uma pergunta
Alguém acredita que, com o sistema eleitoral português, um partido consegue ter a maioria absoluta sem atacar os partidos à sua esquerda, com um desses partidos a crescer e sem propor rupturas aos portugueses?
Eu não, mas o PS pelos vistos sim.
P.S. As sondagens (as boas) servem sobretudo para perceber tendências. Vejam as tendências com atenção e depois falamos. Não digo isto com soberba porque também já me enganei.
Ricardo Costa
Publicado por sic_online em 04:27 PM
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Sorrisos não dão votos
O PCP não elege um deputado no distrito de Faro há 12 anos. Nas últimas eleições PS e PSD dividiram os 8 deputados e os Populares garantem que faltaram apenas mil votos para conseguirem mais um lugar no parlamento. O que faz então Jerónimo de Sousa na capital do Algarve, e logo no dia em que veio também o líder do PSD, arriscando o comparativo? O secretário-geral do PCP - que demonstra coragem - garante que a sul andam sinais positivos no ar e veio testar isso mesmo. O líder comunista perdeu claramente no comparativo com os social-democratas quanto à mobilização popular, nas ruas, mas empatou à mesa. O PCP conseguiu reunir para jantar quase 300 pessoas em território hostil; o PSD, a jogar em casa, não fez melhor ao almoço, em Querença. Jerónimo diz que o partido reúne cada vez mais simpatias, que isso lhe dá esperança, e que só por isso a longa viagem, mais uma, valeu a pena. Mas as eleições decidem-se com votos e não com sorrisos. E a sul, ao que parece, a bipolarização ainda é quem mais ordena.
A viagem do líder comunista ao Algarve pode vir a dar dividendos no futuro, mas já não devem ser recolhidos nestas eleições. E para já, estas é que contam.
Antonio Esteves
Publicado por sic_online em 02:30 PM
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Trocas e baldrocas
Foram apenas dez minutinhos de discurso mas já é um recorde. Pela primeira vez, Santana Lopes não gastou palavras. A assistência também não era grande, apenas o grupo que o apoia há muito quando se trata de arranjar umas caras conhecidas da “Cultura e das Artes”.
O próprio candidato reconheceu a dimensão do grupo de convivas quando disse que “é natural porque quem tem que se relacionar com o poder não comparece numa acção de campanha” de alguém que não está bem colocado nas sondagens. O ex-secretário de Estado da Cultura e o ex-presidente da Câmara de Lisboa lá sabe do que fala.
Quanto ao candidato a primeiro-ministro chegou atrasado ao jantar, em Lisboa (como sempre aliás), mas desta vez jantou e conviveu mesmo. Gente da Cultura e Artes não se trata de qualquer maneira, mesmo que sejam caras familiares, quase militantes sem cartão.
Nos 10 minutos bem contados, os jornalistas encontraram um Guterres social-democrata que “faz política com o coração”.
Ficaria por aqui a novidade não tivesse Santana Lopes, candidato, um encontro marcado às 7h da manhã, ao qual não poderá chegar atrasado.
É isso mesmo! Santana, primeiro-ministro, vai receber as tropas da GNR a Figo Maduro e, por isso, ontem, esteve, diligentemente, a tratar deste assunto de Estado em S. Bento. No meio, houve tempo para passear e conversar com filhos, amigos… e com os jornalistas que acompanham Santana, candidato.
Será que vai ser assim até dia 18?
Anabela Neves
Publicado por sic_online em 09:59 AM
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fevereiro 09, 2005 |
Atrevimento das Caldas
Estou a lembrar-me agora
Da história que me contava um tio antigo.
Dizia ele, nessa altura:
“Olha meu sobrinho, meu amigo,
Entre a ratazana e o cagalhão,
há apenas um intervalo sacana.
É o primeiro ministro da Nação.”
Obrigado Tio,
Está confirmada a sua opinião.
Mário-Henrique Leiria
O poeta e militante anti-fascista da “Afixação Proibida”, teve honras de abertura na sessão de esclarecimento do BE nas Caldas da Rainha. A terra já é famosa por outros “atrevimentos” artísticos e desta vez foram os bloquistas a dar o mote. É poesia. E o poeta até é consagrado. Mas o problema não foi o “palavrão” do poema. Inscreve-se no estilo criativo e ousado do BE. É que, a acompanhar o dito poema, foi projectado um filme amador onde Cavaco, Guterres, Barroso e Portas surgiam como “discípulos” de… Salazar. A “brincadeira” soltou gargalhadas na sala. Palmas até. Mas Francisco Louça conteve-se para evitar um embaraço maior. Afinal, explicou depois o assessor de imprensa, a ideia passou ao lado da caravana. Foi da autoria de um “cineasta” local e também surpreendeu o candidato.
Joaquim Franco
Publicado por sic_online em 08:36 PM
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Está ganho?
Para citar uma frase feita, eu ainda sou do tempo em que candidato que se prezasse saía todos os dias para a rua às oito da manhã e só parava para respirar às onze e tal da noite, depois de mais um comício em mais uma capital de mais um distrito percorrido durante mais um dia quase praça a praça, rua a rua, concelho após concelho, ao "assalto" dos eleitores distraídos à ombreira da porta.
Bem vistas as coisas, ainda foi ali ao virar da esquina das últimas eleições, mas parece que já lá vai uma eternidade; muito porque, poucos dias depois de iniciada esta campanha eleitoral, tem sido recorrente o caso do primeiro-ministro candidato a passar mais quatro carnavais no Palácio de S. Bento que não só ignorou o "porta-a-porta" como até ousou parar por dois dias a campanha eleitoral.
Mas... e o outro candidato ao fato de primeiro-ministro? Fez campanha, sim, mas QB! Em seis dias de "estrada" só em três saiu à rua pela manhã (e só a partir das 11 horas), ainda não fez mais que quatro acções de campanha num mesmo dia e nesta quarta-feira de cinzas só começou a jornada já depois das três da tarde e a seguir fez uma única paragem de caminho para o jantar-comício das oito da noite em Leiria.
Às oito da noite, exactamente, a hora dos jornais das televisões generalistas e ainda a tempo dos jornais (de papel) do dia seguinte!
A "era da comunicação" mudou então a maneira de fazer política eleitoral? Obviamente que sim. E será que isso é mau? Não me parece que se possa ligar as duas coisas. Parece-me no entanto óbvio, pelos sorrisos e descontracção que começam a reinar na comitiva do PS, que do lado dos socialistas reina a convicção de que com esta estratégia do adversário o melhor será fazer... quanto menos, melhor.
Mas, será que "está ganho!"?
José Manuel Mestre
Publicado por sic_online em 08:30 PM
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"Actuação de Fernando Rosas"
Louçã no centro do Barreiro com Rosas.
Um carro anunciava o comício da noite quando a certa altura o ''speaker'' se enganou: ''...esta noite com actuação de Fernando Rosas e intervenção de Fernando Tordo...''.
Joaquim Franco
Publicado por sic_online em 06:02 PM
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Um segredo bem guardado
Tínhamos encontro marcado na Estação de Serviço de Antuã, às 8 e 30 da manhã.
Só ali ficaríamos a saber com todo o rigor, que feira Paulo Portas iria visitar, na região de Aveiro.
Tudo, porque o líder dos populares não quer ter encontros inesperados com as outras campanhas partidárias.
Quando chegamos a Bustos, o presidente do PP aguardava-nos à beira da rotunda.
Cumprimentou alguns condutores e seguiu em frente, em direcção ao mercado.
Foi a primeira vez que Paulo Portas regressou a uma feira, desde a campanha das legislativas de 2002.
Depois dos jornalistas tanto perguntarem porque não ia aos mercados, depois de tanto se dizer que o líder tinha despido a pele de "Paulinho das feiras" e que tinha medo de se confrontar com a voz do povo… eis que, está de volta.
Entrou um pouco tímido mas depois de uns abraços e beijos parece que ganhou confiança.
Também estava numa zona onde os votos lhe foram favoráveis.
E comunicou então, que além da feira de Bustos… iria também ao mercado de Vale de Cambra.
Não há fome que não dê em fartura.
Ana Margarida Póvoa
Publicado por sic_online em 02:58 PM
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O que pensa Cavaco
O Público lançou ontem uma enorme confusão na campanha eleitoral. Não me vou alongar sobre a natureza do artigo, que me parece ter sido feito muito "no ar". Acho, no entanto, que ele tem um erro lógico. Aquilo que Cavaco deve pensar na altura (digo-o da minha própria cabeça e sem recorrer a nenhuma fonte) é o seguinte:
1. O PSD tem que ter uma derrota que leve à saída de Santana da liderança.
2. O PS vai ganhar mas, e apesar de sempre ter defendido os governos de maioria absoluta, é importante que não tenha poder a mais.
3. Neste cenário a eleição de um presidente de centro-direita é inevitável.
Isto é o que eu penso que pensa Cavaco. Só há um problema no raciocínio dos que apoiam o ex-primeiro-ministro: é que mesmo que perca, e por muito, as eleições Santana Lopes não vai querer sair da liderança sem a disputar num Congresso.
Ricardo Costa
Publicado por sic_online em 01:33 PM
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No Bairro Alto
"Com esta direita andamos para trás… E com o Bloco de Esquerda eh!eh!…" As palavras não são minhas. São da caravana do Bloco de Esquerda, em noite de Carnaval… À medida que gritavam as palavras de ordem a caravana andava para a frente e para trás, devidamente coordenados com as palavras. E desta forma, ninguém ficou indiferente à passagem dos bloquistas pelo Bairro Alto, em Lisboa. Ou melhor, entre conversas e copos ninguém estava à espera de ver um candidato no meio de um corso à meia-noite… Depois de um dia de campanha intenso, Francisco Louçã ainda teve forças para brincar ao Carnaval, entrou em bares falou com jovens. Naquele contexto, ouvi alguém dizer "na noite só esperava encontrar Santana Lopes". Mas o primeiro-ministro demissionário não quis misturar a campanha com o Carnaval… Por uns instantes, será que trocaram os papéis dos candidatos? Paula Castanho
Publicado por sic_online em 11:02 AM
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A agenda de Santana (2)
Ontem no meu "post" matinal atrevi-me a perguntar se Santana ia resitir a fazer uma acção de campanha no dia de Carnaval e, assim, cumprir a promessa que tinha feito aos portugueses. Nem precisei de esperar 3 horas para que o Gabinete do Primeiro-Ministro marcasse uma declaração aos jornalistas sobre a campanha.
A ideia de colocar o Primeiro-Ministro a falar em São Bento sobre a campanha eleitoral é extraordinária. Mas o resultado ultrapassou todas as (más) expectativas.
Sinceramente, a polémica da utilizaçao de meios do Estado em campanha diz-me pouco. O que me diz muito é a absoluta falta de estratégia e lógica da campanha, que nem o Carnaval atenua.
Ricardo Costa
Publicado por sic_online em 10:52 AM
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Estranha forma de campanha
É uma estranha forma de fazer campanha mas que se repete sempre que há eleições. A destruição de material de propaganda de outros partidos, às claras, sem o mínimo respeito pelos cidadãos, que devem ser chamados a escolher o partido que preferem depois de avaliarem todos os factores. As regras do jogo têm de ser iguais para todos. E não se compreende que em democracia existam pessoas que fazem campanha tentando anular os direitos dos outros. Desta vez a queixa é comunista. Um outdoor de Jerónimo de Sousa nas Olaias que alegadamente foi tapado com outro do PSD, e pendões da CDU alegadamente retirados das ruas de Torres Vedras por ordem do Presidente da Câmara. O PCP rasgou o cartaz do PSD para mostrar a alegada "marosca". Não será um erro, mostrar que alguém errou fazendo-lhe o mesmo? Olho por olho dente por dente? A política parece ser cada vez mais assim, mas há que encontrar outras formas de fazê-la, porque mais do que cativar eleitorado, os partidos têm a responsabilidade de conquistar cidadãos para o exercício da cidadania. Dispensam-se maus exemplos. Todos. Mesmo que venham de quem parece ter razão. António Esteves
Publicado por sic_online em 08:54 AM
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O Paulinho Das Feiras
"Por onde anda o Paulinho das Feiras?"
Será esta, porventura, a pergunta mais ouvida em redor da caravana centrista. Por onde andará essa figura que ainda povoa o imaginário eleitoral?
Já nos foi dado a ver o ministro da Defesa, em pose grave, a mostrar obra feita em Viana do Castelo ou nas OGMA. Já vimos e ouvimos o Dr. Portas, em discurso inflamado, lembrar à classe média e ao " eleitorado dos valores" o perigo de um bom resultado dos comunistas e da esquerda radical. Até já recuámos ao heróico tempo do Paulo do Independente, numa sessão sobre ambiente, pela mão do ministro Nobre Guedes, também ele antigo administrador do jornal.
Agora do Paulinho das Feiras nem sinal. O presidente do CDS/PP garante que não deixou de frequentar feiras. Mas o Paulinho não aparece. Estará desgostoso com o actual governo? Não terá gostado do trabalho do seu alter ego? Passou-se para a oposição? Onde estará o Paulinho das Feiras?
Daniel Cruzeiro
Publicado por sic_online em 01:41 AM
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fevereiro 08, 2005 |
ÓMIGO!
Ómigo é a contracção da expressão oh com a palavra amigo. No léxico comunista camarada é aquele que é militante do Partido com as quotas em dia. Amigo é alguém, de esquerda ou de direita, que não hostiliza os comunistas. Numa campanha bipolarizada, Jerónimo de Sousa tem apelado para os amigos votarem na CDU, para uma mudança política. À esquerda, claro! Ómigo, será que chega?
O MEU COMÍCIO…
Nos últimos dias PS e PSD têm repetidamente afirmado “O meu comício é melhor que o teu!" Who cares?
E ninguém lhes explica o significado de ridículo? José Carlos Costa
Publicado por sic_online em 05:56 PM
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Aproveitamento Político?
Jorge Lacão é um "velho" deputado socialista com direito, há vários anos cativo, de representar o PS na Assembleia da República no primeiro lugar da lista em Santarém.
Antes do comício do partido na cidade, Sócrates e Lacão receberam uma delegação da CAP chefiada pelo seu presidente, João Machado.
Se a CAP tivesse ido de propósito a Santarém declarar oficialmente o apoio da Confederação de Agricultores ao PS e a José Sócrates, teríamos notícia.
No final desse encontro, o presidente da associação declarou aos jornalistas que tinha agendadas reuniões semelhantes com PSD e PP; afinal João Machado só tinha por objectivo sensibilizar os partidos para a necessidade de existirem políticas agrícolas que sirvam, de facto, os interesses dos agricultores, uma vez que a CAP considera excessivamente frágeis os programas partidários nessa matéria.
Rigorosos 30 minutos depois, Jorge Lacão, em pleno comício e num discurso empolgado, distorceu os factos: garantiu à plateia, composta também por gente ligada à terra, que a CAP viera a Santarém apoiar José Sócrates porque perdera a confiança nos partidos que sempre estiveram mais colados à Confederação - PSD e PP.
Lacão até tinha feito um bom discurso, com frases mais do que suficientes para serem convertidas em notícia de televisão, mas foi traído pelo seu empolgamento. Os 20 segundos que lhe estavam destinados na SIC foram integralmente ocupados com essa interpretação errada.
Pergunto a mim próprio: se Lacão sabia que o presidente da CAP fizera declarações aos jornalistas, por que é que decidiu dar a volta ao texto? A resposta talvez esteja no título desta pequena história.
Pedro Coelho
Publicado por sic_online em 12:45 PM
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Fase derradeira
Jerónimo de Sousa não se cansa de alertar os comunistas para este facto. Estamos na fase derradeira da campanha, e por isso o empenhamento dos militantes deve ser a dobrar: no passa-palavra, no envolvimento nas actividades de campanha e de esclarecimento, na luta contra a abstenção e o voto útil.
O PCP deixou, por isso, para esta fase, os distritos-aposta destas eleições: Lisboa, Porto, Setúbal e Braga. É lá que residem as ténues esperanças de um crescimento eleitoral comunista. É lá, a par do Alentejo, que os banhos de multidão são mais fáceis para encher a TV.
Para trás ficam dois meses de uma volta "completa" ao país.
Jerónimo foi por exemplo a Viana do Castelo, Bragança, Vila Real, Açores e Madeira. Não porque exista alguma esperança num bom resultado nestes distritos, apenas para que ninguém se queixe de desprezo eleitoral.
Mas agora é a sério, e a escassez de dias na fase derradeira, não chega para todos.
António Esteves
Publicado por sic_online em 10:21 AM
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A agenda de Santana
Os repórteres que andam na campanha do PSD (e é-me fácil falar, estando no conforto da redacção) sabem que a agenda de Santana é muito parecida com a de uma ambulância do INEM. Não tem nada marcado e avança em situações de emergência. Foi o que aconteceu ontem, quando Santana decidiu ir à Base Aérea de Monte Real. Era agenda governativa, mas mesmo assim os jornalistas souberam quatro horas antes. Santana tinha algo de urgente para anunciar? Nada que não pudesse esperar, uns dias. E, sobretudo, nada que não pudesse esperar pelo Ministro da Defesa, "dono da Base de Monte Real" e que, a essa hora, tinha compromissos na Madeira. Feitas as contas, Portas faltou à cerimónia na "sua" base e Sócrates aproveitou para explorar as divergências no governo, o que mostra a falta de ideias na sua campanha. Para hoje, dia de Carnaval, Santana não tem nada marcado. Escrevo este "post" às 9:00 da manhã. Será que vou acertar?
Ricardo Costa
Publicado por sic_online em 09:15 AM
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Porta Amiga... do candidato
Há iniciativas em que o candidato nem precisa falar para dizer o que quer. Francisco Louçã deslocou-se ao centro ''Porta Amiga'' da AMI, nas Olaias. O médico Fernando Nobre, habituado aos ''circuitos'' das maiores tragédias, fez a visita guiada pelos ''dramas'' da pobreza, com a firmeza de quem conhece o ''terreno''. Sem demagogia, com palavras simples, disse, sobre a pobreza, o que muitos candidatos apregoam sem consistência. Louçã ouviu e no final também falou. Mas pouco. E nem precisava de falar. Já estava tudo dito. Sem defeitos ou maleitas.
No mesmo dia dedicado ao tema ''pobreza'', Louçã foi a... Cascais.
Era segunda-feira de Carnaval. A acção de rua no centro da vila apanhou turistas surpreendidos e gente apressada com a ameaça da chuva.
Valeu a ''ira'' de S.Pedro que ''descarregou'' em força e precipitou o fim da iniciativa.
Joaquim Franco
Publicado por sic_online em 12:14 AM
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fevereiro 07, 2005 |
Margens de Erro
Há alguns dias que não ouço tantos comentários sobre as sondagens. Já tenho saudades, embora a maior parte dos comentários sejam tontos e boa parte das sondagens sejam para deitar para o lixo. Para quem se interessa pelo assunto (que me atormenta desde os primeiros trabalhos no Expresso em 1989) vale a pena dar uma vista de olhos pelo Blog do Pedro Magalhães (margensdeerro.blogspot.com). É muito bom, faz um excelente "poll of the polls" e devia ser lido por todos os candidatos.
Como é natural, o Pedro defende mais a Católica (de que é responsável), embora eu ache que a último estudo que fez para o Público/RTP/antena 1 estava todo errado. Com nenhuma carga cientifica e a poucos dias do próximo barómetro da SIC arrisco dizer: o PP vai ser uma surpresa e aproximar-se muito dos 10 por cento, o Bloco não vai ser a terceira força, o PCP não vai ter uma hecatombe, o PSD vai apanhar um susto valente e o PS não está a fazer nada para ter maioria absoluta. Isto é que é um "post" cheio de margens de erro.
Ricardo Costa
Publicado por sic_online em 06:53 PM
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O petróleo e o "handicap"
Reconheça-se que os portugueses são muito imaginativos. Volta e meia descobrem, não a pólvora, mas o petróleo.
Já se acreditou que houvesse petróleo no Beato.
Nos idos do cavaquismo, o ministro da Indústria Mira Amaral anunciava, com a sua imperfeita dicção, o petróleo verde de Portugal. O Eucalipto, imagine-se.
O imaginário petrolífero voltou, em força, nesta campanha eleitoral. Em Faro, perante escassas dezenas de militantes, Paulo Portas e Telmo Correia, ministro do Turismo, descobriram um novo petróleo em Portugal. Nada mais nada menos do que os campos de golfe. Música para os ouvidos dos empresários hoteleiros presentes, mas o que diria Luís Nobre Guedes, o ministro do Ambiente, da ideia?
A solução tem - como se diz no golfe - o seu "handicap", os seus custos ambientais. Ainda mais enunciada em pleno período de seca.
Daniel Cruzeiro
Publicado por sic_online em 06:08 PM
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Pedro, o Sonhador
Disse Eurico de Melo, ontem, em Castelo Branco, num esforço físico visível que “O Pedro é um Sonhador”, que “anda nisto há mais de 30 anos”, que o “conhece bem”, que Sá Carneiro “gostava da ambição política dele” e que “ele, (o Pedro) não mudou”.
O Pedro não ouviu. Nunca ouve os que falam antes dele. Porque chega depois de passar o vídeo do homem que “chora e que berra, cuja honra é o trabalho”, porque entra ao som de música ensurdecedora que até abafa os aplausos, porque como é primeiro-ministro vem rodeado de seguranças que pouco alargam o perímetro para que o povo laranja consiga tocar “o sonhador”.
Mas o Pedro continua a sonhar. Sonha que, tal como lhe aconteceu em Lisboa, “as sondagens também se abatam”. Sonha que o tempo está “a mudar”. O sonhador, no debate da SIC, até já disse a frase “Eu tenho um sonho”. A 20 de Fevereiro, à noite, acordará! Para o sonho ou para o pesadelo?
Pedro Cruz
Publicado por sic_online em 05:09 PM
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Brincar ao Carnaval... Um instante
Não consegui desviar os olhos dos rostos dos que vieram ver Paulo Portas, em Macedo de Cavaleiros.
Gente de cabelos muito brancos, rugas bem vincadas da idade, de uma vida dura de tanto trabalho e que seguravam as bandeiras do Partido do Centro Democrático Social.
São bandeiras com dezenas de anos.
Não sei se este é o eleitorado dos Populares.
Talvez seja.
Mas estes rostos, estas rugas são o retrato do Nordeste Transmontano.
Despovoado, envelhecido e profundamente belo.
E depois do nada veio o careto, pavilhão dentro, garrido e atrevido para com as mulheres.
O mascarado tradicional de Trás-os-Montes abraçava-as e fazia tocar os chocalhos que trazia na cintura.
Aos homens fazia gracejos e tocava-os com uma espécie de cachecol colorido.
O careto de Podence chegou-se à mesa de honra onde estava o líder dos populares... Brincou com todos até mesmo com Paulo Portas que sorriu para o mascarado.
Mas, rapidamente virou os olhos para os papéis onde escrevia o discurso da noite.
Foi por breves instantes, mas brincou ao Carnaval.
E ao final da noite, Paulo Portas disse que depois do Carnaval, sairá à rua para o contacto directo com o povo que ainda não teve.
Vamos ter de esperar, pois então.
Ana Margarida Póvoa
Publicado por sic_online em 05:01 PM
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As presidenciais, sempre
O DN e Jerónimo de Sousa (duas instituições bem antigas na nossa política) não resistiram a um erro muito comum em política: misturar eleições.
O erro do DN é recorrente (e eu próprio já o cometi) e passa por fazer sondagens sobre uma eleição quando está a decorrer campanha para outra. Qualquer pessoa que tenha lido uma sebenta sobre estudos de opinião sabe que isso é errado. Os inquiridos ficam baralhados, a margem de erro dispara, as leituras actuais e futuras ficam "distorcidas".
O de Jerónimo é diferente: hoje decidiu lançar Carvalhas na corrida a Belém. É ao mesmo tempo simpático e útil, porque faz as pazes com as bases do PCP e assegura uma candidatura própria.
Sócrates também não se livra das leituras "presidenciais" sempre que aparece ao lado de Guterres.
Deixo um conselho: esqueçam as presidenciais. Basta que Santana se aguente na liderança do PSD para o cenário ficar todo baralhado e Cavaco não avançar. É melhor guardar sondagens e discursos para essa altura.
Ricardo Costa
Publicado por sic_online em 12:58 PM
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Um barracão velho e frio...
Sábado de Carnaval, o Bloco de Esquerda apostou num encontro informal na Associação de Moradores de Santo António dos Cavaleiros.
Num barracão velho e frio cerca de sessenta pessoas juntaram-se a Francisco Louçã, enquanto noutros palcos a campanha eleitoral estava no auge.
No velho barracão tudo indicava que a noite ia ser um desastre, um balão de água rebentou mesmo ao lado de Louçã, sinal de que a política não adormece o Carnaval...
Consciente ou talvez não do fiasco desta acção de campanha, Francisco Louçã decidiu salvar a noite... no velho barracão deixou claro que o Bloco não quer ser governo, falou da lei do arrendamento e tirou todas as dúvidas às pessoas que decidiram enfrentar o frio daquela noite.
Paula Castanho
Publicado por sic_online em 11:58 AM
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E agora, PSD?
O comício em Castelo Branco quase a terminar, Santana Lopes no pára arranca final que caracterizou os discursos da pré campanha, "agora é que é mesmo o fim...", e a debandada a começar. Foi o ala que se faz tarde de muitos idosos que tinham camionetas à espera.
Quando o líder do PSD, finalmente, terminou, a debandada transformou-se num autêntico tropel de gente a saltar, atabalhoadamente, bancada fora, tentando sair pela única porta possível. A principal era por onde o líder chegara e por onde deveria sair ladeado pelos jotas que criaram uma das imagens de sucesso deste comício.
Santana não viu o tropel. Estava a abraçar Alberto João Jardim e com razão. O líder madeirense sabe de Carnaval e de festa quando está para aí virado. Não fez por menos, nem ele nem Morais Sarmento, nem Eurico de Melo, o antigo patriarca do Norte, que garantiu que Francisco Sá Carneiro gostava do Pedro, o tal que estava à esquerda do fundador do PSD no cartaz que Cavaco Silva matou à nascença.
Santana fez um discurso mais frouxo que alguns dos convidados, certeiro apenas naquilo que era um dos objectivos: anular José Sócrates colando-o sem piedade à «fuga de António Guterres». O sorriso de Einhart da Paz (o publicitário brasileiro da campanha) no fim do comício mostra que isso pouco interessa no balanço final.
O que parece é, especialmente se transmitido em directo pela televisão. E o que pareceu transformou-o no evento mais bem produzido e ganhador do santanismo pós dissolução do Parlamento. Com um único senão - a fasquia está mais alta para o resto que falta e que é quase tudo.
Anabela Neves
Publicado por sic_online em 11:16 AM
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Modernidade Comunista
A palavra catering não é estranha ao mundo comunista. Em jantares com largas centenas de pessoas o PCP desistiu de apostar apenas no serviço gratuito da militância, e passou a mandar vir a comidinha preparada e gente para servi-la a preceito.
Ainda é uma imagem que causa estranheza: empregados de fatiota branca e lacinho, cheios de salamaleques, a servir gente - na maioria proletária e operária - que sempre renegou estas modernices, consideradas vícios desnecessários do novo-riquismo ou tiques aburguesados.
Mas é um bom sinal que se pode estender à política pura e dura. O PCP fechado e sisudo, auto-suficiente e independente das modas e da modernidade capitalista começa a ceder, a abrir-se ao mundo real. Um mundo que já não vive da luta de classes, das greves, das mega manifestações e dos confrontos de rua com os reaccionários de direita.
É ainda apenas uma brecha, uma nesga, mas demonstra uma tentativa clara de se abrir à sociedade civil, sem medo de velhos fantasmas que só faziam sentido na clandestinidade, durante a ditadura, e nos anos da brasa.
Há um novo PCP em formação, mesmo que por suprema ironia comece a aparecer pela mão daquele que é considerado um líder ortodoxo.
Há um novo PCP que se começa a assumir, mesmo que ainda se note apenas em pequenos gestos e imagens. Como os empregados de fatiota branca, cheios de salamaleques, ao serviço de quem sempre se habituou a servir.
António Esteves
Publicado por sic_online em 11:08 AM
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fevereiro 06, 2005 |
Espontaneidade?
Meia hora antes do comício do PS arrancar ainda os autocarros fretados pela estrutura local do partido despachavam gente de todo o distrito à porta da sessão socialista. E já tudo é feito às claras!
O PSD, algumas centenas de metros ao lado, contratou meia dúzia de porcos que espetou na brasa, e serviu bem regados de vinho a quem aceitasse ficar para ouvir os oradores "laranja".
Enquanto isso Santana mandara um dos seus homens sombra espiar a concentração socialista.
A Câmara socialista de Castelo Branco contratara entretanto um grupo de folclore para abrilhantar um comício partidário.
Sócrates e Santana cantaram ambos vitória, depois de contadas as espingardas. Mas que vitória?
Nós sabemos que eles sabem como se enche uma praça ou um pavilhão. As espingardas estavam mais do que contadas antes do arranque do combate.
Pedro Coelho
Publicado por sic_online em 09:27 PM
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O terceiro primeiro-ministro
António Pires de Lima, uma das mais eficazes novas vozes da política portuguesa (em que quase só há cromos repetidos), anunciou ontem ao País que há um terceiro candidato a primeiro-ministro: Paulo Portas! É certo que o ambiente era festivo e até místico (comício no Palácio de Cristal, Porto, com casa cheia), mas o exagero é claro. O PP ambiciona a muito nestas eleições e, em minha opinião, está à beira de o conseguir. Pode ter mais votos, mais deputados e ser uma força fundamental a qualquer projecto ambicioso de centro-direita. Mas há uma coisa que é certa: por alguns anos os candidatos a primeiro-ministro serão do PS e do PSD.
Ricardo Costa
Publicado por sic_online em 06:44 PM
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O MUNDO AO CONTRÁRIO
No comício de arranque da campanha, o CDS voltou ao Palácio de Cristal. O exacto local onde se realizou o congresso fundador daquele partido. Mas 30 anos depois tudo é diferente. Até o nome do Palácio, agora Pavilhão Rosa Mota. Senão vejamos: há 30 anos o líder fundador era Freitas do Amaral, hoje o português mais criticado pelos militantes do partido; há 30 anos Paulo Portas era um adolescente que militava na JSD, hoje é o respeitado presidente do Partido; há 30 anos o Partido Comunista era o grande inimigo do CDS, hoje o slogan mais ouvido nos comícios de CDS é uma adaptação da frase mais escutada na Festa do Avante - "assim se vê a força do PP". E para que o absurdo ainda se torne mais convincente, só faltava que a Juventude Popular entoasse, numa versão livre, em plena cidade do Porto, a canção que a Juventude Leonina celebrizou. "Só eu sei porque não fico em casa", cantada a plenos pulmões por militantes centristas que vestiam a camisola do FC Porto. Foi isso que aconteceu no comício do Palácio de Cristal. Digam lá se o Mundo não anda ao contrário.
Daniel Cruzeiro
Publicado por sic_online em 05:19 PM
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As lágrimas de cristal
Paulo Portas emocionou-se no Palácio de Cristal. Agarrou com força o ramo de rosas vermelhas e duas bandeiras de um mesmo partido separados por 30 anos. As letras a negro falavam de um partido de Centro Democrático Social. A outra tinha os tons de um azul popular.
Paulo Portas sabia que tinha nas mãos o passado e o futuro do "seu partido". Há 30 anos quando Diogo Freitas do Amaral, presidente do CDS esteva cercado à frente do congresso da fundação do CDS, Paulo Portas andava longe, muito longe do partido que voltou ao Palácio de Cristal.
Hoje, Freitas do Amaral pede votos para o PS. Paulo Portas pede os votos da classe média.
O grito "Assim se vê a força do PP" remete para outras lutas partidárias e encheu de lágrimas os olhos de Paulo Portas.
E quando os quatro mil militantes pediram que o líder saltasse...ele saltou uma única vez.
Talvez por timidez...talvez. Paulo Portas ainda não tirou a gravata.
Ainda não saiu para a rua..Ainda não o viu beijar o povo, como fez noutras campanhas.
Ana Margarida Póvoa
Publicado por sic_online em 03:53 PM
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A fúria dos militantes
É um must em todas as campanhas comunistas, e esta não tem fugido à regra.
A indignação dos militantes contra a comunicação social, alimentada pelos discursos inflamados dos dirigentes. 1. Que quase não mostra nada do partido. 2. Que quando mostra só se vê gente idosa. 3. Que se dá uma ideia de um partido fechado e ortodoxo. 4. Que se está a dar ao Bloco uma importância que não tem. Convém lembrar que: 1. O PCP é a quarta força partidária em resultados eleitorais. O destaque que lhe dado no alinhamento das notícias não pode por isso deixar de reflectir este facto. 2. O PCP é um partido histórico, fundado nos tempos da repressão e com tradições na luta contra a ditadura. A base eleitoral maioritária é idosa, ainda hoje, e sobrevive desses tempos. Ninguém esconde a importância da Juventude Comunista. A verdade é que nas actividades de campanha aparecem muito menos do que são na realidade, ao contrário dos mais velhos. 3. O PCP é um partido Ortodoxo nas Linhas Programáticas. É um partido fechado para o exterior. Cultiva o Centralismo Democrático em nome da Unidade e da Disciplina Ideológica. Queixa-se de quê? 4. O Bloco prima pela irreverência e pela utilização inteligente do SoundBite. Merece atenção pela simpatia que vai recolhendo na sociedade e pela criatividade que é cada vez mais premiada pela sociedade actual. É o Bloco que está mal? O PCP quer ser tão sério, coerente e credível, que acaba por ser vítima de um cinzentismo que não ajuda à relação com o mundo actual. E um pouco mais de cor não beliscava em nada os princípios sagrados do Marxismo-Leninismo que professa. António Esteves
Publicado por sic_online em 11:13 AM
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fevereiro 05, 2005 |
Mas Que Alegre Campanha!
Em Beja, Manuel Alegre discursou não na qualidade de candidato a deputado, uma vez que o círculo que há-de elegê-lo e o de Lisboa, não na qualidade de histórico do PS, porque a história de Alegre pertence a outras paragens, mas sim enquanto candidato derrotado à liderança do partido. Foi nessa qualidade que fez o discurso que qualquer um dos oradores da noite gostaria de ter feito.
No final, enquanto lhe batiam palmas, os espectadores mais recuados da sala elevavam, acima do som dos aplausos, um comentário conciso - "mas que grande discurso!" Como se depois do candidato derrotado, nenhum vencedor pudesse acrescentar mais nada. E será que acrescentou?
Pedro Coelho
Publicado por sic_online em 11:40 PM
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O Camarada Pontual
Jerónimo de Sousa não se atrasa. Se o programa diz que às 11 horas há uma actividade na Lota de Sesimbra, é às 11 que chega pontualmente o líder do PCP. Se tem de estar nos Estaleiros de Viana do Castelo às 15 horas, é a essa hora que se apresenta.
Os comunistas têm uma disciplina horária notável e irrepreensível. O que muitas vezes acaba por provocar problemas aos jornalistas habituados aos atrasos da praxe. Mas neste aspecto o PC não faz concessões. E também não há esperas tácticas pela comunicação social. Se alguém se atrasa apanha a campanha em andamento. O melhor que se consegue negociar é o momento das declarações, e o local mais adequado para não prejudicar a recolha de imagens. E neste aspecto há uma evolução clara para melhor. Tempos houve no passado em que não havia a possibilidade de recolher depoimentos com tanta disponibilidade e fartura. O partido definia quando, onde e como.
A pontualidade e o cumprimento rigoroso do programa de campanha é o ponto mais positivo no que diz respeito à relação do PCP com a comunicação social.
António Esteves
Publicado por sic_online em 08:53 PM
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Cadilhe, o Sebastião
Miguel Cadilhe já disse que não entra num governo com Paulo Portas. José Luís Arnaut pediu a demissão de Miguel Cadilhe da API numa carta enviada a Álvaro Barreto (mas que saiu nos jornais). Miguel Cadilhe critica sistematicamente a orientação económica (e financeira) do actual governo. Bagão Félix também não gosta das opiniões de Miguel Cadilhe.
Ainda assim, Santana Lopes resolveu dizer que gostava de ter Miguel Cadilhe como número dois do seu próximo governo. Alguém percebe?
Ricardo Costa
Publicado por sic_online em 04:43 PM
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Banhada de multidão
Pergunto a mim próprio - se não vier a chuva que pretexto usarão os partidos em campanha com câmaras de TV atrás para acabarem com as acções de rua? É que se as concelhias não criarem artificialmente condições para encher as praças, um candidato a primeiro-ministro rodeado de meia dúzia de gatos pingados fica mal no boneco. No centro de Portimão, no primeiro dia de campanha, Sócrates foi recebido por escassas dezenas de militantes. Se quiserem saber como correu perguntem ao staff do PS - se disserem que não correu mal, como nos disseram, é porque correu muito mal. Pedro Coelho
Publicado por sic_online em 12:13 PM
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O telefonema de Durão
A manchete do Expresso de hoje mostra, com precisão, o alívio que Durão Barroso teve quando acabou o único frente-a-frente entre Santana e Sócrates. O debate não correu mal ao PSD e Durão, que sabe ser o primeiro responsável por toda esta confusão política, ficou com menos remorsos: "Santana não é tão mau com o pintam", terá pensado. Depois do telefonema foi só marcar um encontro-relâmpago para hoje. Com um telefonema e dois minutos de fotografias está dado o apoio. Depois pode regressar a Bruxelas, de consciência mais tranquila. Dia 20 os remorsos serão menores. Ricardo Costa
Publicado por sic_online em 09:59 AM
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fevereiro 04, 2005 |
O PP e os media
Todos os 4 anos (ou menos, quando as eleições são antecipadas, como é o caso), o Dr. Paulo Portas perde a compostura e transforma um ou vários media em seus inimigos.
Esta tradição quixotesca voltou ontem, majestática, com o anúncio de uma queixa na CNE e outra na AACS contra a SIC. Este tipo de gestos sempre foi ridículo, mas agora é ainda mais: os portugueses não percebem como é que o político que ontem tinha "pose de estado", era sinónimo de "estabilidade" e apelava ao voto útil, se transforma num D. Quixote eleitoral. Eu por mim (em nome da SIC) não me importo de fazer de moinho: é só por 15 dias.
Ricardo Costa
Publicado por sic_online em 10:31 PM
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A vitória dos Vermelhos
O Benfica foi ao estádio do Guimarães jogar com o Moreirense. Resultado: os da Luz ganharam por 2-1.
No dia seguinte, o secretário-geral do PCP esteve em Moreira de Cónegos na pré-campanha da CDU para as legislativas. Jerónimo de Sousa, benfiquista de gema, podia ter usado a analogia da cor. Resposta do líder comunista:
- Epá, nem pensar nisso. O PC é um partido plural, é um partido com militantes e simpatizantes de todos os clubes!
Pois é, na luta pela manutenção... de eleitores e de deputados todos os votos contam. Benfiquistas, portistas, sportinguistas e dos do Moreirense.
José Carlos Costa
Publicado por sic_online em 07:39 PM
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"Não voto em si, mas gosto de o ouvir..."
Leiria, Viseu, Lamego, Castelo Branco. Louçã queimou os últimos cartuxos da pré-campanha nos distritos onde o Bloco tem pouca implantação. Nas ruas, a pequena caravana bloquista não distribuiu apenas programas políticos. O sorriso de Louçã cativa as pessoas. Muita gente faz conversa. Mas cativar simpatias não chega. A reacção da maioria dos cidadãos, embora simpática para o candidato, é um "pau de dois bicos".
Respostas como "olhe, não alinho nas suas ideias, mas gosto muito de o ouvir" ou "não voto em si, mas gosto de o ouvir porque fala claro" ou ainda "sei que não vai chegar lá, mas se fizer alguma aliança para o governo não se esqueça de nós" podem dar alento a Francisco Louçã, mas representam também o maior dos desafios da campanha bloquista... convencer os eleitores para que a "mudança" e a "diferença" não fiquem apenas nos cartazes e nos discursos.
Joaquim Franco
Publicado por sic_online em 06:11 PM
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Debate
O debate lá se fez em moldes inovadores e com a maior transmissão televisiva de sempre. Somadas as audiências da SIC e da :2, este foi o debate mais visto de sempre na televisão portuguesa (pelo menos desde que há audimetria). Se somarmos a audiência da SIC Notícias e a da RTPN, o número de espectadores dispara ainda mais.
A audiência e a clareza do debate, com regras e cumprimento de tempo rigorosos, foram as grandes vantagens do debate. As desvantagens foram as que estava à espera: os políticos portugueses não se adaptam com facilidade a tempos de resposta e concretizam pouco as ideias; um só debate não dá tempo para se falar sobre temas importantes; devia existir um debate sobre temas económicos e relativos e outros sobre temas sociais e políticos. Fica para a próxima.
Ricardo Costa
Publicado por sic_online em 01:39 PM
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fevereiro 03, 2005 |
O que é o Diário da Campanha
Domingo, 6 de Fevereiro, arranca o período oficial da campanha eleitoral. Os partidos correm o país de Norte a Sul, do Litoral ao Interior. Os comícios sucedem-se, as campanhas fazem-se nas ruas, nas praças. Com as caravanas, segue uma vasta equipa de repórteres da SIC que aqui deixarão, na primeira pessoa, as suas impressões, os factos mais relevantes e sobretudo os mais curiosos, os fait-divers, as 'gaffes'. Os momentos únicos de uma campanha eleitoral, em directo do terreno. É o mote deste blog, o Diário da Campanha, com várias actualizações ao longo do dia, até ao final desta autêntica Volta a Portugal.
Publicado por sic_online em 12:30 PM
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